quarta-feira, 26 de junho de 2019

1Co.11.17-34 - A PARTICIPAÇÃO NA CEIA DO SENHOR – Privilégios e responsabilidades - 2.


A PARTICIPAÇÃO NA CEIA DO SENHOR – Privilégios e responsabilidades – 2, 1Co.11.17-34.
Introd.:           Na lição anterior vimos:
            1 – A Santa Ceia foi instituída por Cristo;
            2 – Participar da Ceia é um desejo natural dos crentes em Cristo;  
            3 – Na Ceia recordamos com gratidão a obra sacrificial de Cristo em favor do seu povo;
            4 – Evidenciamos como igreja a eficácia da obra de Cristo;
            5 – Cristo está presente espiritualmente na Ceia nos comunicando as bênçãos adquiridas por ele mesmo em favor de sua igreja;
            6 – Fundamentados na promessa do Senhor, testemunhamos a nossa esperança no regresso vitorioso de Cristo.
1 – Confiança exclusiva em Cristo.
            Ninguém pode participar da Ceia de forma “digna” se depender exclusivamente dos seus merecimentos.
            Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse que “nisto (instruções a respeito da Ceia), porém, que [...] prescreve (à igreja), não (os) [...] louva (aprova), porquanto eles (se) ajuntavam não para melhor, e sim para pior”, 1Co.11.17.
            A respeito de que “[...] eles (se) ajuntavam não para melhor, e sim para pior”, 1Co.11.17, Paulo explica “porque, antes de tudo, estava informado haver divisões (discórdia) entre eles [...]”, 1Co.11.18.
            Essa “[...] divisão entre eles (acontecia) quando eles reuniam na igreja (não para louvar, adorar, orar, mas brigarem entre eles mesmos – mau testemunho) [...]”, 1Co.11.18.
            Perceba que “[...] Paulo, em parte, creu (porque já havia contendas, 1Co.1.10; falta de espiritualidade, 1Co.3.3; imoralidade, 1Co.5.1 dentro da igreja)”, 1Co.11.18.
            Segundo Paulo, era preciso haver discórdia, “porque até mesmo importava que houvesse partidos entre eles, (finalidade:) para que também os aprovados se tornassem conhecidos em (seu) [...] meio (a fim de que todos soubessem quem eram os insubordinados entre os fiéis)”, 1Co.11.19.
            Ao participar da Ceia Deus nos desafia a confessar a nossa dependência total e exclusiva a Ele.
            Por isso, (de Paulo dizer:) aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu (sujeito a julgamento) do corpo e do sangue do Senhor.”, 1Co.11.27.
            A instrução é para “examinar-se (o pecado deve ser confessado), pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice (sem culpa)”, 1Co.11.28.
            Veja “pois quem come e bebe sem discernir (ou reconhecer que é) o corpo (de Jesus), come e bebe juízo (neste mundo e no porvir) para si”, 1Co.11.29.
            É por este motivo que a nossa dignidade provém não de nossa “santidade” pessoal, mas sim de sermos “[...] santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”, Hb.10.10.
            [...] Cristo Jesus [...] se nos tornou, da parte de Deus [...] (a nossa) justiça, e santificação, e redenção”, 1Co.1.30 para podermos participar da Santa Ceia.
            Na Ceia encontramos o conforto de que pertencemos ao Senhor.
            Catecismo de Heidelberg (1563) – Qual é seu único conforto na vida e na morte? Não pertenço a mim mesmo, mas a meu fiel Salvador, Jesus Cristo, que, com o seu sangue, pagou totalmente por todos os meus pecados e me libertou completamente do poder do diabo.
2 – Manifestação de nossa união.
            A exortação é para que [...] irmãos [...] quando (se) [...] reunirem para comer, (devem) esperar uns pelos outros”, 1Co.11.33.
            Na Ceia, todos nós cremos em Cristo, revelamos a nossa irmandade.
             A Santa Ceia destrói barreiras sociais, culturais, raciais, política e econômicas.
            Todos estão unidos na mesma fé porque são “[...] irmãos [...] reunidos [...]”, 1Co.11.33 para “[...] todas as vezes [...] comer [...] (o) pão e beber o cálice, anunciando a morte do Senhor, até que ele venha”, 1Co.11.26.
            Essa ação de “[...] comer [...] e beber [...]”, 1Co.11.26 simboliza o sacrifício de Cristo por nós pelo motivo do “[...] Filho de Deus, [...] me amar e a si mesmo se entregar por mim”, Gl.2.20.
            Paulo fala que, “[...] embora (sendo) muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão”, 1Co.10.17.          
            A nossa união é confirmada porque “[...] em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo [...] e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”, 1Co.12.13.
            Calvino, comentando sobre aquele que se ausenta da Ceia, perdendo o privilégio de participar da mesma, conclui: “porque ao fazê-lo se priva da comunhão da igreja, na qual reside todo nosso bem”.
3 – Imperativo à santidade.
            Jesus instituiu a Ceia “[...] na (mesma) noite em que foi traído, (Ele) tomou o pão”, 1Co.11.23.
            Paulo, instruindo aos crentes de Corinto, fala que “[...] ele recebeu (instrução) do Senhor o que também [...] entregou (aos crentes coríntios) [...]”, 1Co.11.23.
            Alguns dizem que Judas não participou da Ceia, mas “durante a ceia [...] o diabo pôs no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus”, Jo.13.2.
            E, enquanto participavam, “[...] após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa”, Jo.13.27.
            Participar da Ceia, “[...] comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”, 1Co.11.27.
            [...] Indignamente [...]”, 1Co.11.27 é trair Jesus, como Judas fez, desconsiderando o seu sacrifício remidor.
            O texto de Paulo nos intima a um exame criterioso de nossa vida e não do irmão:
            [...] Aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu (condenado) do corpo e do sangue do Senhor”, 1Co.11.27;
            A atitude de cada um é “examinar-se, pois, o homem a si mesmo (e não o outro), e, assim, coma do pão, e beba do cálice;”, 1Co.11.28;
            Cada um de nós precisa saber que, “[...] quem come e bebe sem discernir (ou reconhecer que é) o corpo (de Jesus), come e bebe juízo (condenação) para si”, 1Co.11.29.
            Não podemos participar da Ceia de forma desleixada, é preciso ter em vista o seu alto valor, considerando-a uma Ceia santa, distinta de todas as outras.
            Leon Morris – Todos têm que participar “[...] indignamente [...]”, 1Co.11.27, pois ninguém jamais pode ser digno da bondade de Cristo para conosco.
            Calvino – “A fé, ainda que imperfeita, transforma o indigno em digno”.
4 – Alimentamo-nos de Cristo.
            A igreja está indissoluvelmente unida a Cristo.
            Essa união implica nos alimentarmos – simbólica e sacramentalmene – do seu corpo, “[...] a carne [...] e do seu sangue, não temos vida em nós mesmos”, Jo.6.53.
            Todo crente tem que “[...] comer a [...] carne e beber o [...] sangue (de Jesus) tem a vida eterna, e Jesus o ressuscitará no último dia”, Jo.6.54.
            Assim como o pão e o vinho alimentam a nossa carne, o corpo e o sangue de Cristo, representados nos elementos da Ceia, nos alimentam espiritualmente.
            A nossa participação na Ceia aponta nossa imperfeição e, ao mesmo tempo, nosso desejo de nos alimentarmos de Cristo.
            Na Ceia denunciamos que somos pecadores e, ao mesmo tempo proclamamos o desejo e a esperança de não permanecermos no pecado.
5 – A eficácia da Ceia do Senhor.
            Algumas considerações:
            A – A eficácia da Ceia não depende de quem a administra.
            Os benefícios espirituais da Ceia não estão restritos à fidelidade daqueles que a ministram.
            Deus pode abençoar-nos até mesmo por intermédio de um falso servo seu; Ele faz se assim o quiser.
            A eficácia da Ceia depende da ação abençoadora de Deus.
            O Espírito é o auto da comunicação dessas bênçãos, não o homem.
            B – A eficácia reside no Espírito, não nos elementos da Ceia.
            Os elementos da Ceia permanecem o que são, pão e vinho; não sofrem nenhuma transformação metafísica.
            “A relação entre o pão e o vinho, e o corpo e o sangue, são puramente morais ou representativos” – Hodge.
            Calvino – “Deus usa o sinal como instrumento. Não que o poder de Deus esteja encarcerado no sinal, mas ele no-lo distribui por meio destes expedientes, em virtude da fragilidade de nossa capacidade”.
            A Ceia é ineficaz sem o Espírito.
            C – É necessário a fé daqueles que recebem os elementos.
            Aqueles que creem em Cristo e participam condignamente da Ceia usufruem dos benefícios que o Espírito nos comunica.
            Os incrédulos podem receber os sinais externos visualmente e alimentar-se deles (pão e vinho), mas não recebem a graça interna simbolizadas por eles.
            Recebem o sacramento, mas não o Cristo que dá sentido ao mesmo.
            A Ceia não é um meio indiscriminado de graça; ela é para o povo eleito de Deus que participa condignamente desse sacramento.
Conclusão:      Privilégios e responsabilidades ao participar da Ceia do Senhor:                
            Quando [...] nos reunis no mesmo lugar [...] (reunimos para) comer a ceia do Senhor (para nos alimentar espiritualmente) [...]”, 1Co.11.20.
            Na Ceia não podemos “[...] comer, cada um tomar, antecipadamente, a sua própria ceia (deve ser em comunhão, na igreja a fim de que não) [...] haja quem tenha fome (da comida espiritual e não é lugar para) [...] se embriagar (do vinho, mas embriagar-se do Espírito)”, 1Co.11.21.
            Por este motivo Paulo pergunta: “Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo”, 1Co.11.22.
            É na igreja, em comunhão que podemos “[...] dar graças [...] partir (o pão) e dizer: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim (sofrimento)”, 1Co.11.24.
            [...] Depois de haver ceado, tomamos também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim (sofrimento)”, 1Co.11.25.
            Mas, pode acontecer de “[...] haver entre nós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem (como Judas Iscariotes)”, 1Co.11.30.
            Por este motivo é interessante “[...] nos julgar a nós mesmos, (para) não sermos julgados (pelo próprio Deus)”, 1Co.11.31.
            Mas, quando julgamos (a nós mesmos), somos disciplinados (ensinados) pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo (que não têm Cristo como Senhor)”, 1Co.11.32.
            Paulo encerra dizendo que, “se alguém tem fome (física), coma em casa, a fim de não nos reunirmos para juízo. Quanto às demais coisas, (o próprio Deus) [...] ordenará quando (eu e você) (chegarmos na mansão Eterna) [...]”, 1Co.11.34.
Aplicação:       A participação da Ceia fala sobre o compromisso voluntário de nos dedicar inteiramente ao serviço do Senhor.
           



            Adaptado pelo Rev. Salvador P. Santana para E.D. – O batismo e a Ceia do Senhor – Palavra Viva – Rev. Hermister Maia Pereira da Costa – ECC.

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